domingo, 21 de outubro de 2012

A ARTE - Escultura

Escultura arcaica

        Tal como na arquitetura, a génese da escultura grega encontra-se no longo período que vai do século IX ao V a. C., cuja última etapa (a partir do século VII) é designada por período arcaico.
        A arte grega manifesta um grande interesse peto Homem, visível na procura das formas perfeitas da figura humana.
Kouros de mármore da

  Ática - 590/580 a.C..
        As estátuas mais antigas, do período arcaico, representam jovens atletas, deuses e heróis. Trata-se dos kouroi, palavra que em grego quer   dizer rapazes, figuras rígidas e despidas, que parecem dar um passo em frente e cuja frontalidade revela influências egípcias.
        Este é um dos mais antigos kouros (singular de Kouroi) do Período Arcaico e marcava a sepultura de um jovem aristocrata.

        Na evolução do kouroi ao longo do século VI a.C., o de Anavysos apresenta nítida tridimensionalidade e pormenor. Está cada vez mais distante da abstração e da geometria do início do século e já bem próximo do naturalismo do início do século, como se vê pelo dorso (e pelas nádegas...
 
Kouros de mármore
  de Anavysos, Ática. 530 a.C..
        A versão feminina dos kouroi são as korai, isto é, as meninas ou raparigas, igualmente rígidas, facilmente identificáveis pelos seus peplos (túnica) e pelos longos cabelos entrançados.


        O escultor deu vida ao rosto, às mãos e aos pés - as áreas expostas. O resto do corpo, escondido pela roupa, é estático, pesado e totalmente irreal.
Koré de Keratea,  Ática.
 Data: 570/560 a.C..
A koré de peplos. Reconstituiçãoda estátua de mármore pintado - 530 a.C..


 
 
 
Estilo Severo 
 
 
        A transição para a época clássica fez-se no primeiro quartel do século V a. C., com duas obras realizadas em bronze: o Auriga de Delfos e Posídon.
 
        Dotadas de maior pormenorização anatómica e rigor técnico, mas também de grande monumentalidade e rigidez expressiva, estas duas obras caracterizam o chamado estilo severo.
Auriga de Delfos - 474 a.C. e Posídon - 460 a.C.
 

Época Clássica
 
        Nos finais do século VI a.C. desapareceram a rigidez e a frontalidade e foram surgindo figuras mais libertas e naturalistas, que podem ser observadas de todos os ângulos marcando o início do período clássico. Esta tendência acentua-se ao longo dos séculos V e IV a.C., período que ficou assinalado pelas obras dos grandes escultores clássicos, como Míron,  Praxíteles, Policleto e Fídias, em cuja obra se fundem o divino e o humano: as suas figuras reuniam o melhor e o mais perfeito das formas dos homens com a serenidade e a grandeza dos deuses.
        As obras mais famosas de Fídias foram as duas grandes estátuas em marfim e ouro de Atena, do Pártenon, e de Zeus, no templo de Olímpia. Ambas se perderam mas chegou até nós o extenso friso em relevo, alusivo á procissão das Pan-Ateneias, da sua autoria.
        Nas obras de Fídias ressaltam a perfeição anatómica, a robustez e a serenidade, a força e a majestade que atribuíram à escultura clássica grega o carácter idealista e divinizado que hoje lhe reconhecemos e que definimos, muitas vezes, pela expressão “calma olímpica”.

 
Friso das Aguadeiras, Partenon - Fídias, Séc. V a.C.
 
 
 
 
        Um dos mais famosos relevos é a "Niké desapertando a Sandália“, do friso do templo de Atena Niké, atribuído a Fídias.
        Estas figurações não são apenas corpos estruturais envolvidos  em vestuário, mas sim formas moldadas por drapeados realistas, flutuantes e transparentes, caindo
 com naturalidade.
        O movimento, o realismo, o rigor anatómico, a perícia técnica,  fazem sobressair uma sensualidade subtil, que anuncia a arte do séc. IV a.C.

 
        O discóbolo ("lançador de disco"). Cópia de mármore do original de bronze de Míron. Data do original: 450 a.C.
        O discóbolo, conhecida através de várias cópias romanas (...) é uma obra-prima que revela uma observação sistemática da natureza, demonstrando as possibilidades do bronze como material de esculturas de ação e de movimento. 
 


 
        O diadúmeno ("jovem com uma faixa na cabeça") de Policleto, Delos - cópia romana de mármore do original de bronze datado de 440/430 a.C.
        O Diadúmeno e o Doríforo, que representam atletas nus em diferentes posturas, são as únicas obras atribuídas a Policleto que chegaram até nós.
        Policleto (450/420) a.C., trabalhou principalmente com o bronze e empenhou-se em determinar as proporções ideais do corpo humano, estabelecendo uma regra, um cânone
 

Doríforo, de Policleto - 450-440 a.C.e Apoxiomeno., de Lisipo -Século IV a.C
 
        No cânone de Policleto, seguido por todo o século V a. C., a altura da cabeça corresponde à sétima parte da altura total do corpo, criando um ideal de atleta robusto e harmonioso.
        Lisipo, no século IV a. C., estabeleceu uma nova proporção, dando à cabeça somente 1/8 da altura total da figura, criando um novo cânone e, consequentemente, um novo ideal de figura masculina, mais esbelta e elegante.
 
        A arte grega do período clássico é, simultaneamente, uma arte realista por reproduzir o mais fielmente possível o corpo humano, e idealista por eliminar do corpo reproduzido as imperfeições que contrariavam o ideal de beleza dos gregos.

Período Helenístico
Grupo escultórico Laocoonte e seus filhos - 160 a 130 a.C
 Obra conjunta de Hagessandro, Polidoro e Atanadoro
 
         Composição desequilibrada, para valorizar o dramatismo - expressão de dor física expressa no rosto e na tensão muscular - Realismo expressivo, dramático de efeito teatral; abandono do “realismo idealista” e da serenidade.




Vitória (Niké) de Samotrácia.

Pitócrito, da Escola de Rodes, (200-190 a.C.)
 
          É captado o momento em que a deusa poisa na proa de um navio, de asas abertas, num perfeitoequilíbrio entre o movimento do corpo e a força do vento que se lhe opõe (tema mitológico). A agitação das roupagens húmidas que lhe cingem o corpo, firme e enérgico, bem como o tratamento plástico e expressivo conferido às pregas fluidas do tecido transparente, contribuem para o efeito de sublimação, caraterístico da arte deste período.





 

 
 
 


domingo, 14 de outubro de 2012

A Educação Ateniense

          O ensino em Atenas tinha por finalidade preparar devidamente os rapazes para o exercício dos cargos políticos e para a defesa da cidade. Por isso, a partir dos sete anos, eram acompanhados por um escravo, o pedagogo, a casa dos gramáticos- mestres pagos para os ensinarem a ler e a escrever.

           Depois, aprendiam a recitar de cor as obras dos grandes poetas gregos como Homero, autor da Ilíada e da Odisseia, que lhes transmitiam valores de coragem e espírito de sacrifício. Aprendiam também aritmética e cálculo (as quatro operações e frações simples) e música. Cantavam os poetas e tocavam um instrumento musical, a cítara ou o oboé. Aos 12 anos iniciavam a sua preparação física na palestra (ginásio), com um mestre, o pedotriba. A partir dos 15 anos, aprendiam com um filósofo a raciocinar, a falar bem (oratória), a argumentar (retórica) e a expor as ideias em público.
          O objetivo da educação grega era a educação integral do cidadão - com uma boa preparação intelectual, cívica e física. O seu lema era "mente sã em corpo são".

             O resultado desta aprendizagem era posto em prática quando se tornavam cidadãos e eram chamados a discutir leis, a julgar casos e a dirigir a cidade.

             As raparigas permaneciam em casa, no gineceu, junto das mães e das amas e aprendiam as tarefas domésticas para se tornarem umas boas donas de casa.

 




Escola grega

A cultura grega

Pensamento lógico e racional, centrado no Homem e na procura da verdade,
        
         Para além da paz, da prosperidade política e económica, a Grécia antiga conheceu um extraordinário desenvolvimento intelectual no século V a.C., que contribuiu para um novo impulso no pensamento e na filosofia: a par do mito, a política, a lei, a democracia, o Homem e o seu modelo de atuação em sociedade passaram a ser os assuntos de reflexão e especulação de muitos filósofos.
        O pensamento grego, o primeiro pensamento filosófico do Ocidente, resultou de um longo processo de racionalização e humanização de conceitos originalmente religiosos (míticos).
          A economia esclavagista permitiu o ócio e o tempo disponível para as atividades culturais nas camadas sociais urbanas.
          As ciências e as artes também beneficiaram destas condições.      

          Apesar de terem criado vários mitos, os Gregos procuravam explicações racionais para os fenómenos da Natureza e para os mistérios da existência humana. O desejo de conhecer o ser humano e o Mundo levou-os ao desenvolvimento da filosofia, à procura do conhecimento verdadeiro, da sabedoria (philos = amigo + sophia = sabedoria).

         Heráclito, um filósofo pré-socrático, dizia: não é possível banharmo-nos duas vezes na água do mesmo rio , para expressar a ideia de que o mundo se encontra em permanente mudança e, nas suas palavras, tudo e instável
        Sócrates, Platão e Aristóteles foram os mais célebres filósofos da Grécia Antiga.      
        Sócrates. Interessado pelos problemas do Homem, dialogava com os seus discípulos, levando-os a descobrir a verdade em si próprios.
        As ideias de Sócrates foram desenvolvidas por Platão e Aristóteles, dois geniais pensadores cuja influência se faz sentir ainda hoje.

        Aristóteles inventou palavras como: física, economia, psicologia, energia, dinâmica, substância, universal, propriedade... O que permite imaginar a amplitude do seu pensamento e das suas obras, ainda hoje estudadas em todas as universidades do mundo.
          Este “amor pela sabedoria” contribuiu para o desenvolvimento de conhecimentos em outras áreas, lançando a base de algumas ciências como:
  •         a História, que se desenvolveu com Heródoto, considerado o “pai da História”, e com Tucídides, que relataram de forma objetiva e rigorosa os acontecimentos da Grécia Antiga.
  •         a Medicina, com Hipócrates, considerado o pai da Medicina, procurava conhecer as causas naturais das doenças, identificando, por exemplo, a epilepsia como uma doença e não como um mal divino.
  •         a Matemática, com Pitágoras, para quem o número é o princípio de todas as coisas, já que o Universo, segundo ele, é regido por operações matemáticas;
  •         a oratória, isto é, a arte de discursar, que nasceu com os debates políticos. A necessidade de participar na vida política levou os Gregos a praticar a arte de bem falar em público. Péricles e Demóstenes, com os seus discursos políticos, foram considerados os oradores mais brilhantes de Atenas.
  •         a Literatura inspirou-se na religião e na mitologia. Nesta área distinguiram-se Homero, o maior poeta grego, autor da ilíada e da Odisseia, e Hesíodo, autor da Teogonia e de Os Trabalhos e os Dias.
           
 
             Sócratesgostava de falar com os jovens e de lhes colocar questões que os fizessem pensar e pôr em causa aquilo que pensavam saber, fazendo-os perceber que o seu conhecimento é limitado e que devem duvidar se querem tornar-se sábios.
          “Há muitos que, em vez de se darem ao trabalho de procurar a verdade, preferem em geral adotar as ideias já feitas. Quanto a mim, evitei obter as minhas informações do primeiro que aparecesse (…). Procedi sempre a verificações tão escrupulosas quanto possível. Não foi um trabalho fácil, porque as testemunhas do mesmo acontecimento tinham muitas vezes relatos discordantes."
                                                  TUCÍDIDES, História da Guerra do Peloponeso, séc. V a. C.
 


“          Esta, a exposição das informações de Heródoto de Halicarnasso, afim de que os feitos dos homens, com o tempo, se não apaguem e de que não percam o seu brilho ações grandiosas e admiráveis, praticadas, quer pelos Helenos, quer pelos bárbaros, e, sobretudo, qual a razão por que entraram em conflito una com os outros.”
Heródoto, "Pai da História" - Histórias, séc. V a. C.

 
JURAMENTO DE HIPÓCRATES:
  • Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência.
  • Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra.
  • Nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime.
  • Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte com boa reputação entre os homens;
  • Se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário.
                                                                                                         (Hipócrates, 450 a.C).
 
FILOSOFIA
Tales de Mileto: a água é a origem do Mundo.
Heráclito: tudo se encontra em permanente mudança “nunca nos banhamos duas vezes na mesma água de um rio”;
Sócrates: o conhecimento nasce da dúvida “Só sei que nada sei!”;
Platão: os nossos sentidos são enganadores: as ideias e a realidade são diferentes;
Aristóteles: grande pensador e lógico, contribuiu para o desenvolvimento das Ciências Naturs, do pensamento político e da Lógica.
Pitágoras: Este discípulo de Platão destacou-se na Matemática e a sua obra marcou profundamente o pensamento europeu. Debruçou-se sobre diversos temas como a economia, a política, a moral…